domingo, junho 20

Adeus, Bisavó querida.

Debaixo de muitas madrugadas, do frio e da garoa, ela acordou forte pra luta. E a idade avançada, por muito tempo, não foi nenhum empecilho. Por incontáveis vezes, saiu com seu saco de cheiro-verde equilibrado na cabeça e a garganta preparada pra chamar o povo na feira. Fez clientes, fez amigos, fez muita gente aprender que velhice não é desculpa para ficar estagnado.

Todo mundo adorava a Vó Garida. Tinha tanta luz naquele semblante, que era impossível não parar para bater um papo e ouvir o vozeirão da senhorinha. E quando chegava em casa, o café forte era sagrado. Com pão ou com bolachas, ela adorava a bebida negra coada no pano. E ai de quem não provasse. Ela sabia ser muito brava também! De noitinha, o saco de estralar não podia faltar. E de tanto ouvir os barulhinhos, num vício saudavelmente infantil, adormecia.

Me orgulho de ter nas veias, sangue daquela mineira. Agüentou 100 anos sem perder a sanidade. Viveu com toda a intensidade e com a força de uma guerreira. Do jeito que ela é, não vai querer descansar em paz. Vai é querer arrumar um trabalho lá do lado de Deus pra não ficar parada.

Vou sentir saudade, Dona Margarida.





Um comentário:

Priscila Campello disse...

Fiquei por 5 minutos tentando formular algo pra escrever neste comentário, mas foram tantas palavras que eu queria dizer que não consegui ordenar. Por fim, decidir dizer apenas que te adoro!