segunda-feira, março 15

Phalaborwa


Recentemente (final de fev/10) conheci uma cidade muito interessante chamada Phalaborwa. Situada na província de Limpopo, África do Sul, a cidade faz fronteira com o Kruger National Park e fica a duas horas da fronteira com Moçambique. Fui com mais 3 amigos para vermos o show de uma banda sul-africana chamada Freshlyground. Muito boa banda, por sinal. A nossa saída de Maputo foi debaixo de chuva, porém muito tranqüila. Seis longas horas depois estávamos lá, no Poona Lodge. E o que pareceu um passeio pacato, no início, acabou tornando-se uma das minhas viagens mais legais aqui na África.


Tava cheio dessa espécie de lagartixas no lodge. Fiquei impressionado com as cores delas!


O Lodge, muito bonito e confortável, fica pertinho do estádio onde aconteceu o Show. Fomos muito bem recebidos lá. Era uma sexta-feira e, mesmo cansados, quisemos curtir a noite na cidade. Tínhamos que aproveitar bem, já que iríamos embora no domingo. A filha da dona do lodge, Tineal, e o amigo Nathan se colocaram a nossa disposição e nos levaram para a noitada. Depois de algumas doses de Jack Daniel’s, num barzinho tão vazio quanto aconchegante, fomos pra uma boate chamada Arrows. Logo percebemos algo errado. Tanto no barzinho quanto na boate, só haviam brancos. Negros eram proibidos (isso mesmo: se entrar é expulso ou apanha). Nossos novos amigos explicaram que, apesar do fim do Apartheid, a separação entre negros e brancos ainda acontece naquela e em várias outras cidades do país. Uma grande pena.


Nathan, Serginho, China, Leo, eu e Tineal.


Achei bonita esta máscara. Ela decora o bar do Poona Lodge.


No sábado, fomos conhecer uma área de exploração mineral. A vista mais linda do passeio. Tivemos que subir no auto de uma montanha pra ver melhor a região. Como o carro não subiu e tivemos que ir a pé! A sorte foi que, na metade do caminho, um filho de deus que passava por ali ofereceu-nos uma carona. Não ficamos muito tempo lá. Tiramos umas fotos e pegamos estrada para voltar ao Lodge. No caminho, vimos muitos macacos e passamos por um rio imenso, cheio de crocodilos e hipopótamos.


A cerca não evita que os macacos invadam a rua. Na verdade a cerca é para gente não entrar!



À tarde, tivemos a oportunidade de presenciar a situação contrária da noite anterior: um lugar onde só os negros freqüentavam. Por acaso, era o estádio onde veríamos o Freshly tocar. A Tineal, o namorado, o Nathan e outros amigos deles foram com a gente. Tive uma sensação estranha quando meus olhos procuraram e não encontraram outros brancos no local. Sem exagero, somente nós de brancos (no meio de mais de 4 mil pessoas). Senti um certo apavoro. Talvez um preconceito implícito. Depois passou! Fizemos amizade com vários negros. Eles são extremamente curiosos e, simplesmente, adoram os brasileiros. Que sorte!


China fazendo amizade!


Deixando de lado o Apartheid 2.0 – como classificou o meu amigo Serginho, em seu blog – demos uma volta no estádio para ver o que rolava, até o show começar. Encontramos uma senhora muito simpática, que oferecia um sumo de Marula. Todas as pessoas passavam por ali para encher o copo com o líquido branco-encardido. Apesar do receio, tomamos alguns goles para participar da tradição. Confesso que não era nada saboroso. Tinha uma textura esquisita e um gosto azedo. Sentia-se ali o forte sabor da fruta africana que hoje faz sucesso no mundo, através da Amarula.




Mas sobre o Freshlyground, antes que fiquem na expectativa, vou logo dizendo: não vimos show nenhum! No fim da tarde, depois de horas de atraso deles, o China e eu decidimos ir embora. Ouvimos dizer que o pessoal começava a ficar muito bêbado e depois perdia um pouco a noção. Meu pai me ensinou, há muitos anos, um ditado que serviu direitinho pra situação: “antes que o mal cresça, corte a cabeça!”. Pra evitar qualquer incidente, largamos os nossos amigos – que não queriam ir embora por nada – e fomos. O Serginho, aliás, foi assaltado, alguns minutos antes, por um rapaz que se fingiu de amigo. “Tensooo” (expressão do próprio!).

Mais tarde, Victor e eu fomos pra Arrows novamente e acabamos encontrando Serginho e Leo. Soubemos logo que eles também não assistiram ao show. O atraso dos artistas foi de mais de 8 horas. Desistiram de esperar. Depois da Arrows voltamos pro lodge, mortos. Mas mesmo louco pra dormir, eu tive que fazer uma proeza: buscar Léo, que chegou e foi direto pra piscina. Chapado como só ele fica, não queria sair da água. Segundo disse, estava salvando as borboletas. Pode isso?! E pra ajudar o caso dele ficar ainda mais admirável, eram quase 4 da manhã e o friozinho assoprava sem dó. Só Jesus na vida dele!

No domingo, depois de um banho de piscina (agora pode, Léo!), uma bebida bem gelada e um queijo com recheio doce que nos ofereceram sem cobrar nada, fizemos as malas. Deixamos a cidade, amizades e o Serginho, em particular, deixou alguns álbuns do Bob Marley em mp3 para a dona do Lodge. Puta vontade de ficar mais uns dias... Mas volta foi uma aventura a parte. Decidimos cortar caminho, por dentro do Kruger Park, pra economizar umas 2 horas de viagem. O problema é que o parque fecha as 18h30 e o limite de velocidade é 50Km/h. Resultado: calculamos mal e no meio do caminho percebemos que não dava tempo de chegar na saída que “planejamos”. E olha que mantivemos a média os 70km/h durante todo o percurso. Sim, somos moços feios e desrespeitamos as regras do parque. Mas ok, não faremos mais isso!




A aventura animou o regresso. Vimos girafas, elefantes, zebras, javalis, empalas e um grupo muito, muito, muito grande de babuínos. E para não pagarmos a multa de 1500 Rands, saímos por um portão que fica na extremidade central do parque, que é bem comprido. Daí o motivo de gastarmos o dobro de horas. Acabamos fazendo mais que 70% do percurso que queríamos evitar e que, acumulados com o passeio no Kruger, custou-nos nada menos que 10 horas dentro de um Kia Picanto apertado pra caralho!




Bom, é isso aí. Vejam este vídeo pra terem uma ideia melhor da aventura! Não tá com muita qualidade, mas se o deixarem carregar completamente fica melhor. As músicas que vão ouvir são Arms of Steel e Doo Be Doo, ambas do Freshlyground. Bjos.

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