domingo, junho 20

Adeus, Bisavó querida.

Debaixo de muitas madrugadas, do frio e da garoa, ela acordou forte pra luta. E a idade avançada, por muito tempo, não foi nenhum empecilho. Por incontáveis vezes, saiu com seu saco de cheiro-verde equilibrado na cabeça e a garganta preparada pra chamar o povo na feira. Fez clientes, fez amigos, fez muita gente aprender que velhice não é desculpa para ficar estagnado.

Todo mundo adorava a Vó Garida. Tinha tanta luz naquele semblante, que era impossível não parar para bater um papo e ouvir o vozeirão da senhorinha. E quando chegava em casa, o café forte era sagrado. Com pão ou com bolachas, ela adorava a bebida negra coada no pano. E ai de quem não provasse. Ela sabia ser muito brava também! De noitinha, o saco de estralar não podia faltar. E de tanto ouvir os barulhinhos, num vício saudavelmente infantil, adormecia.

Me orgulho de ter nas veias, sangue daquela mineira. Agüentou 100 anos sem perder a sanidade. Viveu com toda a intensidade e com a força de uma guerreira. Do jeito que ela é, não vai querer descansar em paz. Vai é querer arrumar um trabalho lá do lado de Deus pra não ficar parada.

Vou sentir saudade, Dona Margarida.





segunda-feira, junho 14

Pelado e educado.


Tá decidido: nunca mais eu faço nudismo. Primeiro porque eu não sou lá chegado em praias apropriadas para esta prática e depois porque nos lugares inapropriados eu posso passar pelo mesmo perrengue que passei recentemente. Vou explicar. No fim do ano passado, a “malta” resolveu ir para Xai-Xai, uma bela cidade litorânea à 200KM de Maputo. A curtição foi boa por lá. Amigos do trabalho, rango e birita à vontade e muitos mergulhos num lago transparente formado com a água do mar, presa pelas rochas. Tudo ia bem até então... Até então!

O ilustre Zeca de Oliveira – sem mais nem menos – resolve ir para o mar, tirar a areia da sunga. É claro que não era necessário tirá-la por completo e rodar no alto pra galera se divertir, ainda que os seus membros secretos estivessem abaixo da superfície do mar. Mas quem disse que ele só se faz o que é necessário? A polícia marinha devia estar espionando de longe, com aqueles binóculos-super-mega-caríssimos-de-longo-alcance, muito embora se vestisse como pescadores. Não deu outra, me esperou sair do mar e tome enquadro.

- O senhor infringiu a lei.
- Eu?
- Sim, fez nudismo em local inapropriado.

- Eu?

- Sim, e deverá pagar uma multa de 15 Mil Meticais!
- 15 páus, senhor polícia? Só pode ser brincadeira.
- Não é brincadeira meu senhor. Vamos para esquadra.

- Faz 500?



A malta, numa atitude tão desesperadora quanto a minha, rodeou o senhor polícia e eu ouvi expressões do tipo: “Quero ver quem é que vai levar o Zeca.”, “Daqui ele não sai ou então todo mundo tira a roupa!”, “Não vai levar ninguém, o senhor ta pensando que é quem?”. O senhor polícia não tava para brincadeiras e, depois de ouvir muita baboseira, me chamou de canto para resolvermos o problema civilizadamente. Eu disse a ele:

- Não fiz por mal, senhor, só que a areia tava incomodando muito.
- Mas o senhor sabe que não pode?

- Agora eu sei. Não vou mais fazer!


Depois de provar da minha enorme capacidade teatral e da minha ironia imperceptível adicionados ao mau humor da galera que já se preparava para protestar (vejam como exemplo, o China de rabo pra fora), ele concluiu:

- Só vou liberá-lo porque o senhor é o único aqui que é educado. Tenha uma boa tarde.


domingo, maio 30

Quero Ser Uma Estrela


No ano passado o Zé Maia me surpreendeu - quase no fim dum expediente - com um aviso meio maluco: iríamos ser figurantes de um filme português. Na verdade, outro amigo nosso, o Miguel, foi quem nos colocou nessa roubada. E pra não deixar nosso brother na mão, fomos todos na mesma hora para o local da gravação (Lenin e China também foram, além do Maia, o próprio Miguel e eu). Uma aventura e tanto! A cena em que nós participamos rolava em um bar de putas. Sim, daqueles bares onde você segura a cerveja com uma mão e o bumbum da puta com a outra.



O nome do filme é “Quem quer ser uma estrela” e conta a história da prostituição infantil por essas bandas aqui na África. Longas horas de gravação e a gente lá. A coisa começou a ficar meio entediante porque a gente não podia beber de verdade e nem segurar os bumbuns. O que a gente podia fazer era ficar calado, obedecer o diretor e esperar até que os 3 ou 4 takes ficassem bem gravados. Saco!


No fim das contas, um galhozinho que, segundo as informações iniciais, seria quebrado em no máximo 2 horas, rendeu trabalho até as 6h da manhã do outro dia. Como eu disse, fomos pra lá depois do expediente e havia trabalho no outro dia! Mas ok. Pela aventura e pelas bundas que apesar de não pegarmos, rebolavam o tempo todo na nossa frente, foi legal! Beijão.


domingo, abril 11

Costa do Sol




Outro dia o Lenin (meu diretor de criação, na DDB) me mostrou umas fotos. Ele gosta muito de acordar cedo e ir pra praia fotografar os pescadores, o mar, os barcos, enfim, tudo o que se vê por ali. Eu fiquei impressionado com as imagens e pedi pra ir com ele da próxima vez. Num belo sábado, ainda de madrugada, lá fomos nós pra um lugar chamado Costa do Sol. É uma praia não freqüentada por banhistas e fica a menos de 15 minutos do centro da cidade. Como eu não tenho câmera profissional, o Lenin, num gesto super caridoso, me emprestou a sua. Eu aproveitei e durante uma hora e meia ninguém me fazia parar de clicar!

Confiram algumas fotos abaixo, mas não deixe de ver as outras aqui.


domingo, abril 4

House On Fire - Swaziland



Com apenas 2 pares de roupas, 2 carros com os tanques de gasolina cheios, 800 Rands (equivalente a 190 Reais) e alguns chicletes, meus amigos e eu fomos para uma aventura no Reino da Suazilândia (Swaziland). Este país é uma das últimas monarquias absolutas no mundo e também é o país com o maior índice de pobreza, bem como de HIV. A sua população conta com pouco mais de 1 milhão de habitantes - equivalente à Guarulhos - SP. Na Suazilândia, o rei Mswati III escolhe – de tempos em tempos – uma virgem para juntar-se ao seu grupo de esposas. A seleção é feita em praça pública, onde milhares de mulheres exibem os seus seios descobertos, seguindo uma tradição.



O objetivo da aventura, que aconteceu no dia 29/03/10, foi compensar a nossa tentativa frustrada de ver o Freshlyground tocar em Phalaborwa, no mês anterior. Saímos de Maputo ainda de madrugada e tivemos uma viagem muito tranqüila, com estradas boas e uma leve garoa. Foram 220km até chegarmos no Willows Lodge, onde nos hospedamos. Assim que chegamos no portão do lodge nos deparamos com uma linda plantação de ananás (ou abacaxi, como se diz no Brasil).




Nossa acomodação, no Willows Lodje.


O show foi no House on Fire, um casarão bem legal com discoteca, restaurante, um extenso gramado de frente com o palco, quartos (caso vc queira se hospedar lá), etc. O Freshly começou a tocar umas 16h30. Antes disso, vimos algumas apresentações de artistas locais. Foi muito bacana. Os africanos tem muita aptidão para música.


Quando a banda subiu ao palco foi um êxtase danado. Toda gente gritando e querendo ouvir a linda voz da Zolani. Foi muito bom vê-los ao vivo. A música deles tem uma leveza e uma harmonia incríveis. Curtimos, dançamos e cantamos muito. Cliquem aqui e aqui para verem os vídeos.



Depois da bela apresentação, ficamos com muita vontade de falar com eles, dar um abraço, pegar um autógrafo e tal... O Serginho, meu amigo mais descarado, tomou atitude e subiu ao palco para ter acesso ao camarim. Nós fomos atrás, claro! Entramos todos gritando “Brazil”, sempre que alguém tentava nos impedir! Foi uma aventura e tanto, mas conseguimos!


Depois disso, curtimos um tanto na discoteca, nos alimentamos e voltamos pro Willows. No dia seguinte acordamos bem cedo para ir embora, afinal, era segunda-feira e o trabalho pesado nos esperava na DDB!


Vejam mais fotos da viagem aqui.

domingo, março 21

De mala e cuia pra Moçambique - última parte





No dia 5 de janeiro, de 2009, China e eu deixamos o Brasil. Com minha bagagem de 28Kg, eu seguia rumo a um lugar cheio de mistérios. Ficaram para trás muitas coisas. Minha família, meus amigos, meus livros e até minha coleção de cartões telefônicos! Já no aeroporto, depois do check-in, veio o doloroso momento da despedida. Não conseguia pensar nem dizer nada, apenas soluçava num choro que previa quanta saudade eu ia sentir de tudo que deixava. Acho que o China não sabia muito bem o que fazer ao ver um cara todo barbudo chorando daquele jeito! É meio chocante!

Aos poucos passou o chororô e começou o medo de voar de avião. É tenso saber que vai passar mais de 10 horas seguidas dentro de uma aeronave, no meio das nuvens e por cima de toda imensidão do oceano! Quando o gigante da South African tomou velocidade e começou a subir, pensei logo: “fodeu, agora já era!”. As minhas mãos suavam mais do que qualquer axila, o coração batia forte como nunca, a boca estava seca, as pernas trêmulas e a testa toda franzida.



Demorou pra eu me acalmar totalmente. Assisti uns filmes, conversei com China, li revistas... tentei me distrair de todo jeito. De repente, um susto. Acho que já dava umas 8 horas de vôo, quando o avião deu umas sacudidas muito fortes. Foi horrível, pensei que ia cair! Imediatamente a mão volta a suar, o coração a acelerar, a boca a ficar seca, as pernas a tremerem e a testa a franzir, mas tudo com o dobro de intensidade de antes! Tensão total mesmo.. A sensação que eu tive foi como se o motor tivesse sido desligado por 2 segundos! Foi a coisa mais medonha que eu já tive a infelicidade de sentir. Desesperado, olhei pro lado e comecei a falar com o China:

- Mermão, mermão! Isso é normal cara? Essa porra vai cair, não vai? Fala a verdade!

China todo relax, responde:

- Relaxa, cara! Isso é muito normal... Acontece sempre! Fica tranquilo!


Obs: alguns dias depois desse vôo, eu tava conversando com China e ele confessou ter dito aquilo só pra eu não me desesperar! O bicho tava morrendo de medo também porque nunca tinha sentido uma turbulência tão forte! Grande brother, não?!



Depois do susto, desembarcamos na África do Sul, de onde pegaríamos um segundo avião. Os problemas com o inglês logo começaram! A gente não sabia ir para os portões de embarque e também não sabia perguntar como chegar lá! Desespero, raiva, preocupação com o horário. Depois de tanto procurar uma única alma que falasse português e não encontrar, tentamos improvisar no inglês. Péssimo! Não saía nada além de “help me please! I’m lost!”. Um funcionário do aeroporto pegou o bilhete (prevendo que a gente só queria chegar ao portão de embarque) e disse “follow me, please!”. Isso eu entendi muito bem, por conta do Twitter! Ok, depois de nos fazer andar quase 10 minutos naquele gigantesco aeroporto de Johannesburg, o funcionário abre novamente a boca:


Funcionário: The gate is here!

Eu: Really? Thank you, man!

Funcionário: No problem!

Eu: So... have a good day.

Funcionário: Do you have some money for me?

Eu: Sorry?

Funcionário: Money, money. Do you have money?

Eu: Sorry, but I don’t understend.

Funcionário (gesticulando): MOOOONEY!!

Eu (saindo de fininho e dando uma de desentendido!): Oh, Ok, ok! Thank you, very much! Bye...


Logo o funcionário fez uma cara muito feia foi-se! Eu entendi muito bem o que ele queria, mas só tinha 5 notas e todas de 100 usd. E eu jamais ia conseguir explicar pra ele que não tinha trocados! Felizmente me safei dessa!



Depois de perdermos algumas horas dentro daquele aeroporto, pegamos o segundo avião. Em 1h30 estávamos em Maputo. Antes de sairmos da aeronave, a ansiedade começou a atacar Tive um sentimento louco, uma mistura de medo e curiosidade. Fui na frente, em direção à saída do avião. Quando eu chego na porta, prestes a por o primeiro pé para fora, volto e digo ao China :

- Cara, num vô não. Nem fudendo que eu vou sair desse avião!

O China sem entender nada, me empurra mandando eu parar de brincadeira porque tinha gente atrás, querendo passar. Eu travei com as mãos na porta e insisti:

- Mermão! Daqui eu não saio não! Vou morrer queimado!

China já puto - e sem imaginar o que o esperava - me empurra e sai logo atrás. Na primeira respirada que demos fora da aeronave, cujo ar condicionado nos colocava numa temperatura de 18 graus, sentimos o baque! Soltamos juntos um “pu-ta-que-pa-riu, que calor do caralho!”. Sem brincadeira, a sensação térmica era de uns 46/47 graus. Fazia 44/45, na realidade. Corremos pelo asfalto quente e entramos para as dependências do aeroporto. O ar-condiocionado não era dos bons, mas minimizava o calor, pelo menos, em uns 15 graus.




Pronto. Passaportes, carimbados, bagagens inspecionadas, China e Zeca suados como nunca. Fomos recebidos pela assistente do nosso chefe, a simpaticíssima Fernanda. Ela nos levou para o hotel, numa Besta cheia de equipamentos de filmagens, deu-nos telefones, dinheiro para comermos e se foi. Andamos pelo hotel, comemos, descansamos, ficamos horas na janela olhando tudo.




A cidade lembrava aquelas fotos que a gente vê do Brasil nos anos 70, 80. A arquitetura européia, trazida no período colonial pelos portugueses, está presente até os tempos de hoje. Aí junta também com um toque asiático, dado pelos indianos, povo que compõem boa parte da sociedade aqui.



O calor incomodava, mas o pior era aguentar os mosquitos! Sangue novo no pedaço, os bichinhos queriam nos picar a todo custo. Ainda bem que eu havia trago meu querido repelente! Mais tarde, a Fernanda ligou marcando um jantar com o Sr. Vasco. Fomos recebidos por ele com muita atenção. Gente boa, o gajo. O único problema foi que não entendemos absolutamente nada do que ele disse durante as 2 horas que estivemos juntos! Conversa vai, conversa vem e, assim, inicia-se uma nova fase da vida do Zeca.

O que acontece daqui em diante você vai conferir nas postagens semanais do FALANDO DE BORLA (qualquer hora conto sobre o nome do blog). É muita história bacana! Vale a pena acompanhar. Ah, e prometo também ser mais sintético para uma leitura mais rápida! Hehe

Grande abraço. Fiquem com o vídeo que fizemos na nossa primeira noite no hotel Turismo, em Maputo.



segunda-feira, março 15

Phalaborwa


Recentemente (final de fev/10) conheci uma cidade muito interessante chamada Phalaborwa. Situada na província de Limpopo, África do Sul, a cidade faz fronteira com o Kruger National Park e fica a duas horas da fronteira com Moçambique. Fui com mais 3 amigos para vermos o show de uma banda sul-africana chamada Freshlyground. Muito boa banda, por sinal. A nossa saída de Maputo foi debaixo de chuva, porém muito tranqüila. Seis longas horas depois estávamos lá, no Poona Lodge. E o que pareceu um passeio pacato, no início, acabou tornando-se uma das minhas viagens mais legais aqui na África.


Tava cheio dessa espécie de lagartixas no lodge. Fiquei impressionado com as cores delas!


O Lodge, muito bonito e confortável, fica pertinho do estádio onde aconteceu o Show. Fomos muito bem recebidos lá. Era uma sexta-feira e, mesmo cansados, quisemos curtir a noite na cidade. Tínhamos que aproveitar bem, já que iríamos embora no domingo. A filha da dona do lodge, Tineal, e o amigo Nathan se colocaram a nossa disposição e nos levaram para a noitada. Depois de algumas doses de Jack Daniel’s, num barzinho tão vazio quanto aconchegante, fomos pra uma boate chamada Arrows. Logo percebemos algo errado. Tanto no barzinho quanto na boate, só haviam brancos. Negros eram proibidos (isso mesmo: se entrar é expulso ou apanha). Nossos novos amigos explicaram que, apesar do fim do Apartheid, a separação entre negros e brancos ainda acontece naquela e em várias outras cidades do país. Uma grande pena.


Nathan, Serginho, China, Leo, eu e Tineal.


Achei bonita esta máscara. Ela decora o bar do Poona Lodge.


No sábado, fomos conhecer uma área de exploração mineral. A vista mais linda do passeio. Tivemos que subir no auto de uma montanha pra ver melhor a região. Como o carro não subiu e tivemos que ir a pé! A sorte foi que, na metade do caminho, um filho de deus que passava por ali ofereceu-nos uma carona. Não ficamos muito tempo lá. Tiramos umas fotos e pegamos estrada para voltar ao Lodge. No caminho, vimos muitos macacos e passamos por um rio imenso, cheio de crocodilos e hipopótamos.


A cerca não evita que os macacos invadam a rua. Na verdade a cerca é para gente não entrar!



À tarde, tivemos a oportunidade de presenciar a situação contrária da noite anterior: um lugar onde só os negros freqüentavam. Por acaso, era o estádio onde veríamos o Freshly tocar. A Tineal, o namorado, o Nathan e outros amigos deles foram com a gente. Tive uma sensação estranha quando meus olhos procuraram e não encontraram outros brancos no local. Sem exagero, somente nós de brancos (no meio de mais de 4 mil pessoas). Senti um certo apavoro. Talvez um preconceito implícito. Depois passou! Fizemos amizade com vários negros. Eles são extremamente curiosos e, simplesmente, adoram os brasileiros. Que sorte!


China fazendo amizade!


Deixando de lado o Apartheid 2.0 – como classificou o meu amigo Serginho, em seu blog – demos uma volta no estádio para ver o que rolava, até o show começar. Encontramos uma senhora muito simpática, que oferecia um sumo de Marula. Todas as pessoas passavam por ali para encher o copo com o líquido branco-encardido. Apesar do receio, tomamos alguns goles para participar da tradição. Confesso que não era nada saboroso. Tinha uma textura esquisita e um gosto azedo. Sentia-se ali o forte sabor da fruta africana que hoje faz sucesso no mundo, através da Amarula.




Mas sobre o Freshlyground, antes que fiquem na expectativa, vou logo dizendo: não vimos show nenhum! No fim da tarde, depois de horas de atraso deles, o China e eu decidimos ir embora. Ouvimos dizer que o pessoal começava a ficar muito bêbado e depois perdia um pouco a noção. Meu pai me ensinou, há muitos anos, um ditado que serviu direitinho pra situação: “antes que o mal cresça, corte a cabeça!”. Pra evitar qualquer incidente, largamos os nossos amigos – que não queriam ir embora por nada – e fomos. O Serginho, aliás, foi assaltado, alguns minutos antes, por um rapaz que se fingiu de amigo. “Tensooo” (expressão do próprio!).

Mais tarde, Victor e eu fomos pra Arrows novamente e acabamos encontrando Serginho e Leo. Soubemos logo que eles também não assistiram ao show. O atraso dos artistas foi de mais de 8 horas. Desistiram de esperar. Depois da Arrows voltamos pro lodge, mortos. Mas mesmo louco pra dormir, eu tive que fazer uma proeza: buscar Léo, que chegou e foi direto pra piscina. Chapado como só ele fica, não queria sair da água. Segundo disse, estava salvando as borboletas. Pode isso?! E pra ajudar o caso dele ficar ainda mais admirável, eram quase 4 da manhã e o friozinho assoprava sem dó. Só Jesus na vida dele!

No domingo, depois de um banho de piscina (agora pode, Léo!), uma bebida bem gelada e um queijo com recheio doce que nos ofereceram sem cobrar nada, fizemos as malas. Deixamos a cidade, amizades e o Serginho, em particular, deixou alguns álbuns do Bob Marley em mp3 para a dona do Lodge. Puta vontade de ficar mais uns dias... Mas volta foi uma aventura a parte. Decidimos cortar caminho, por dentro do Kruger Park, pra economizar umas 2 horas de viagem. O problema é que o parque fecha as 18h30 e o limite de velocidade é 50Km/h. Resultado: calculamos mal e no meio do caminho percebemos que não dava tempo de chegar na saída que “planejamos”. E olha que mantivemos a média os 70km/h durante todo o percurso. Sim, somos moços feios e desrespeitamos as regras do parque. Mas ok, não faremos mais isso!




A aventura animou o regresso. Vimos girafas, elefantes, zebras, javalis, empalas e um grupo muito, muito, muito grande de babuínos. E para não pagarmos a multa de 1500 Rands, saímos por um portão que fica na extremidade central do parque, que é bem comprido. Daí o motivo de gastarmos o dobro de horas. Acabamos fazendo mais que 70% do percurso que queríamos evitar e que, acumulados com o passeio no Kruger, custou-nos nada menos que 10 horas dentro de um Kia Picanto apertado pra caralho!




Bom, é isso aí. Vejam este vídeo pra terem uma ideia melhor da aventura! Não tá com muita qualidade, mas se o deixarem carregar completamente fica melhor. As músicas que vão ouvir são Arms of Steel e Doo Be Doo, ambas do Freshlyground. Bjos.